Ministro paraguaio disse que Moro tentou forçar a libertação de Ronaldinho Gaúcho

Ministro paraguaio disse à imprensa que Moro “não gostou da prisão”, mas não havia o que fazer

A imprensa paraguaia divulgou que o ministro da Justiça Sergio Moro tentou usar sua influência junto às autoridades locais para tentar tirar Ronaldinho Gaúcho da prisão.

Segundo informações do ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, Moro entrou em contato no dia 7 de março para perguntar se Ronaldinho e seu irmão, Assis, “poderiam ser libertados”. “Respondi que não depende de mim”, rebateu o paraguaio.

“Falo seguidamente com o ministro Moro, temos muitos convênios. Ele me escreveu no sábado (7) e perguntou sobre a situação de Ronaldinho. Quis saber se ele e Assis poderiam ser libertados, e respondi que não depende de mim. (Moro) também perguntou se estão em um local seguro, e respondi que sim. Ele não gostou da prisão de Ronaldinho”, contou Acevedo ao canal C9N.

O jogador e o irmão seguem presos na Agrupación Especializada da Polícia Nacional, desde que foram pegos tentando entrar no país com documentos falsos. Nesta terça (10), a Justiça negou o pedido de prisão domiciliar.

O advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho, conselheiro da Human Rights Watch, avaliou que Moro passou vergonha.

“Inacreditável. De paladino da justiça, de juiz ‘exemplo’ no combate à corrupção, de magistrado rápido e imparcial, para ministro que perdoa caixa 2 e usa o cargo para ajudar os amigos presos. VERGONHA!”, escreveu no Twitter.

A verdadeira história por trás do “interesse” de Moro no caso Ronaldinho Gaúcho

Quando entrou em contato com o ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, para pedir a “cortesia” de “tirar Ronaldinho Gaúcho da prisão”, assim mesmo, sem mais nem menos, Moro demonstrou que tem interesse pessoal no caso.

A resposta não está na mesa, mas em um “fio desencapado” da Lava Jato que torna a questão mais interessante.

É que Ronaldinho Gaúcho entrou no Paraguai, com documentos falsos, a convite de um empresário que Moro conhece de longa data.

Quando era juiz de uma vara criminal especializada em lavagem de dinheiro, situada justamente na tríplice fronteira, Moro cruzou com a história de Nelson Luiz Belotti dos Santos.

Belotti surgiu no noticiário sobre a Lava Jato (pelo menos) em 2015.

A própria força-tarefa de Curitiba tinha o empresário como suspeito de participar do grande esquema de lavagem do doleiro Alberto Youssef ( lembram dele? )

O ex-senador José Janene, do PP, seria um dos políticos beneficiados.

Ocorre que, por razões desconhecidas, a Lava Jato – que já quebrou o sigilo das contas de Nelson Luiz Belotti dos Santos – decidiu não avançar sobre a investigação. Apesar de ter recebido, de maneira suspeita, R$ 24.000.000,00 milhões de reais em suas contas, e de ter repassado quase meio milhão de reais para outra conta, vinculada a Youssef – e que teria José Janene, do PP, como destinatário final – Nelson Luiz Belotti dos Santos foi poupado de qualquer denúncia oficial ou apuração mais aprofundada.

A informação foi dada pelo jornal O Globo, e uma busca no sistema da Justiça Federal do Paraná endossa que não há processos com o nome do empresário.

Hoje, convenientemente, Nelson Luiz Belotti dos Santos é dono do cassino Il Palazzo, localizado no hotel (Hotel Resort Yacht y Golf Club Paraguayo) em que Ronaldinho estava inicialmente hospedado.

Só faltou Moro dizer o porquê de TANTO interesse no caso de Ronaldinho Gaúcho.

Com a palavra Sergio Moro.


Da Redação – Repórteres Isabella Ignatyeva / Lucas Cunha / José Miramontes